terça-feira, 27 de abril de 2010

“Tempos críticos, difíceis de manejar”



 Visto que este século passou por maiores sofrimentos do que qualquer outro, nunca houve maior necessidade de livramento. Hoje em dia, mais de um bilhão de pessoas vivem em absoluta pobreza, e este número aumenta anualmente em uns 25 milhões. Todo ano, cerca de 13 milhões de crianças morrem de desnutrição ou de outras causas relacionadas com a pobreza — mais de 35.000 por dia! E milhões de idosos morrem prematuramente de diversas doenças. — Lucas 21:11; Revelação (Apocalipse) 6:8.
 Guerras e distúrbios civis têm causado indizíveis sofrimentos. O livro Death by Government (Morte por Governo) diz que guerras, lutas étnicas e religiosas, e os genocídios de seus cidadãos praticados pelos governos, “mataram mais de 203 milhões de pessoas neste século”. Diz adicionalmente: “É concebível que o número dos mortos ascenda a quase 360 milhões. É como se a nossa espécie tivesse sido devastada por uma atual Peste Negra. E foi mesmo, mas por uma praga de Poder, não de germes.” O escritor Richard Harwood observou: “As guerras dos bárbaros dos séculos passados eram brigas de rua em comparação.” — Mateus 24:6, 7; Revelação 6:4.
 Além das condições aflitivas existentes nos últimos anos, tem havido um enorme aumento no crime violento, na imoralidade e no colapso da família. O ex-Secretário de Estado para a Educação, dos Estados Unidos, William Bennet, observou que, em 30 anos, a população dos Estados Unidos aumentou em 41 por cento, mas o crime violento aumentou em 560 por cento, os nascimentos ilegítimos em 400 por cento, os divórcios em 300 por cento e o suicídio de adolescentes em 200 por cento. O professor John Dilulio Jr., da Universidade de Princeton, advertiu contra o crescente número de jovens “superpredadores”, que “assassinam, assaltam, estupram, roubam, arrombam e criam graves desordens na comunidade. Eles não têm medo do estigma de ser presos, de sofrer encarceramento ou de ter dores de consciência”. Nos Estados Unidos, o homicídio é agora a segunda causa principal de morte entre os de 15 a 19 anos de idade. E mais crianças de menos de quatro anos morrem por motivo de abusos do que de doenças.
6 Esses crimes e violência não se restringem apenas a uma nação. A maioria dos países relata tendências similares. O que contribui para isso é o aumento vertiginoso no uso ilegal de drogas, que corrompe milhões de pessoas. O jornal Sydney Morning Herald, da Austrália, disse: “O tráfico internacional de drogas tem-se tornado o segundo maior negócio lucrativo, depois do comércio de armas.” Outro fator é a violência e a imoralidade que agora saturam a televisão. Em muitos países, quando a criança atinge os 18 anos de idade, ela já viu na TV dezenas de milhares de atos violentos, bem como inúmeras cenas imorais. Isto causa uma significativa influência corrompedora, visto que nossa personalidade é formada por aquilo com que costumamos alimentar a mente. — Romanos 12:2; Efésios 5:3, 4.
 A profecia bíblica predisse com exatidão essa horrível tendência dos acontecimentos no nosso século. Ela disse que haveria guerras globais, doenças epidêmicas, escassez de alimentos e crescente violação da lei. (Mateus 24:7-12; Lucas 21:10, 11) E quando levamos em consideração a profecia registrada em 2 Timóteo 3:1-5, parece que estamos ouvindo os noticiários noturnos. Ela associa nossa era com os “últimos dias”, e descreve as pessoas como ‘amantes de si mesmas, amantes do dinheiro, desobedientes aos pais, desleais, sem afeição natural, sem autodomínio, ferozes, enfunadas de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus’. É exatamente assim que é o mundo de hoje. Conforme admitiu William Bennett: “Há muitos e muitos sinais de . . . civilização em decadência.” Até mesmo já se disse que a civilização acabou na Primeira Guerra Mundial.
A situação atual é ainda pior do que a de antes do Dilúvio dos dias de Noé, quando “a terra ficou cheia de violência”. Naquele tempo, em geral, as pessoas negavam-se a se arrepender do seu mau proceder. De modo que Deus disse: “A terra está cheia de violência por causa deles; e eis que os arruíno.” O Dilúvio acabou com aquele mundo violento. — Gênesis 6:11, 13; 7:17-24.

Dispara o custo do crime

“O crime na Inglaterra e no País de Gales custa para a sociedade 60 bilhões de libras [85 bilhões de dólares] por ano”, noticiou o jornal The Independent, de Londres. Essa importância, segundo o Ministério dos Negócios Interiores, é uma estimativa baixa e representa 6,7% do produto nacional bruto. O assassinato e o homicídio estão bem no topo da lista como os crimes mais caros, custando em média para o país mais de um milhão de libras [1,4 milhão de dólares] cada um, ao passo que outros crimes graves e violentos custam em média 19 mil libras [27.000 dólares] cada um. Fraude e falsificação são responsáveis por quase um quarto do custo total. Essas importâncias não incluem “o custo do medo do crime, o impacto para as famílias das vítimas, o dinheiro gasto pelo governo com a prevenção do crime, . . . e o custo da indenização dos seguros”, acrescenta o jornal.

Movido Processo Contra os Pais



Ficou com a impressão de que os pais realmente queriam que a sua filha morresse, ou que contribuíram deliberadamente para sua morte por rejeitarem a transfusão de sangue? O Dr. Alfred Andel parecia pensar assim, pois, quando preencheu o atestado de óbito, preencheu o Ponto 12 do atestado com as seguintes palavras: “Recusa à transfusão de sangue.” O Ponto 12 tem o seguinte título: “Em caso de mortes violentas (suicídio, assassínio, homicídio culposo, acidente) forneça pormenores da maneira e da causa de tal morte violenta.”
No dia depois, o Dr. Andel referiu o caso à Delegacia da Polícia Federal em Steyr. Os pais foram imediatamente interrogados pelo Departamento Federal de Investigações Criminais, explicando seu conceito religioso quanto às transfusões de sangue. Ademais, declararam que os médicos não garantiram uma cura, e, sabendo que a transfusão de sangue pode ter graves ou até fatais resultados, este motivo também os levou a recusar a transfusão.
A polícia enviou o relatório ao escritório do promotor público, que, por sua vez, obteve um parecer do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Paris Lodron, Linz, sobre a morte de Irene Walter. O parecer final do Instituto, escrito pelo Professor Norbert Woelkart, e pelo médico-chefe, Dr. Klaus Jarosch, dizia:
“Em realidade, o prognóstico de vida a respeito desta doença é infausto [não favorável] até com a medicação moderna, i. e., basicamente a recuperação não era possível, a doença fundamental provando-se fatal mais cedo ou mais tarde.”
Outrossim, este mesmo parecer passou a dizer que a recusa em consentir a transfusão de sangue “encurtou o tempo de vida da criança de modo nada inconsiderável”. O resumo foi que a criança morreu de anemia provocada pela leucemia e pelo “impedimento do adequado tratamento médico”.
O escritório do promotor público então moveu um processo contra Eduard e Veronika Walter no Tribunal de Circuito, Steyr, em 19 de fevereiro de 1971. Asseverou que a recusa deles em consentir a transfusão de sangue para sue filha era violação do artigo 335 do código penal com respeito à segurança da vide. Esta lei reza:
“Qualquer ação ou omissão que a pessoa atuante seja capaz de perceber, mesmo por suas conseqüência naturais, óbvias a todos, ou em virtude de regulamentos especialmente enunciados ou por motivo de sua categoria, cargo, profissão, comércio, ocupação, ou, em geral, por meio de suas circunstâncias particulares, que um perigo para a vida, saúde ou segurança física das pessoas poderia ocorrer ou provavelmente aumentaria, deve ser, se grave injuria for causada a uma pessoa, considerada como violação da lei por parte do culpado e ser castigada pela prisão até por seis-meses ou a multa de até S 100.000,00 [cerca de Cr$ 26.100,00], e, caso resulte na morte duma pessoa, com a prisão por um ano.”
A acusação termina com o pedido de que se aplique a segunda medida punitiva desta lei.

A Doença e a Morte da Criança

Em maio de 1970 Eduard e Veronika Walter, de Steyr, Áustria Superior, observaram que sua filhinha de dois anos, Irene, estava muito pálida. Imediatamente consultaram um pediatra. Ele cria que a doença de Irene era simplesmente um caso de subnutrição. Visto que sua condição não melhorou, os pais consultaram o médico de novo em setembro. Examinou-se o sangue de Irene, mas não se encontrou nenhuma doença no sangue.
Um mês depois, perto do fim de outubro, a criança foi enviada ao Hospital das Clínicas Distrital em Steyr. Dois dias depois, quando a mãe veio ver a criança no hospital, foi-lhe dito que Irene teria de tomar uma transfusão de sangue. A Sra. Walter explicou que, como uma das testemunhas cristãs de Jeová, ela recusava qualquer transfusão de sangue para sua filha, por causa da ordem da Bíblia de abster-se de sangue de qualquer sorte. — Atos 15:28, 29;
Daí, pediu-se ao pai que comparecesse ao hospital, e ele foi. Os pais mantiveram sua posição a respeito das transfusões de sangue para sua filha. Nisso, o médico declarou: “Então o caso está encerrado, no que me diz respeito.”
Destarte, desde o início, o hospital mostrou intenções de não medicar a criança caso os pais não concordassem em certo tipo de tratamento — a transfusão de sangue. Nessa mesma noitinha, o Sr. e a Sra. Walter tiveram permissão de levar sua filha para casa, sem receberem quaisquer instruções quanto a outros métodos de tratamento.
Repetidas vezes, perguntaram se havia outros métodos de ajudar sua filha sem ser pela transfusão de sangue. Mas, o médico disse que não havia nenhum. Os pais levaram Irene para uma clínica na Áustria Superior, e, dali, a dois profissionais não-médicos na Alemanha e na Áustria. Não se conseguiu curá-la. Em 5 de novembro de 1970, a criança morreu em casa de seus pais em Steyr.