ATRAVÉS da história, tem sido o direito reconhecido das sociedades punir o crime. Atualmente, a forma em que quase todos os países tratam as pessoas que cometem crimes graves é confiná-las às prisões. Algumas permanecem ali pelo resto de suas vidas.
Quantas pessoas vêem o interior de uma prisão desta forma a cada ano? Apenas nos EUA, cerca de 2.500.000. Em qualquer dia, cerca de 1.250.000 pessoas aguardam julgamento ou cumprem sentenças em prisões, reformatórios, campos de trabalho e clínicas, ou se acham sob livramento condicional ou em “sursis”. São cuidadas por cerca de 120.000 pessoas. Quanto isto custa ao contribuinte? Cerca de seis bilhões de cruzeiros anualmente.
Em anos recentes, as prisões em muitos países têm vindo à atenção do público por motins e derramamento de sangue em larga escala. Isto se dá em especial nos EUA, onde as prisões enfrentam uma crise. Em setembro de 1971, tal crise explodiu no choque mais sangrento nas prisões deste século.
O cenário foi a Casa de Correção Estadual de Attica, em Nova Iorque, onde 1200 presidiários rebelados capturaram 38 guardas e empregados. Depois de quatro dias, mais de 1.000 polícias estaduais e soldados da guarda nacional tentaram capturar a prisão num ataque relâmpago. O tiroteio que se seguiu deixou este tributo final: 32 presos e 10 guardas e empregados que serviram de reféns foram mortos, e mais de 200 presidiários ficaram feridos. Nove dos reféns foram mortos inintencionalmente pelas balas dos agentes da lei invasores.
Visto que as prisões em muitos lugares se acham em dificuldades, é oportuno formular as seguintes perguntas: Como se originaram as prisões modernas? Realizam aquilo a que se destinaram? Será que a vida na prisão ajuda a reformar os criminosos? O que dizer das vítimas dos crimes — quem as compensa? Haverá um modo melhor de lidar com os crimes contra a sociedade? Virá a existir um tempo em que as prisões não mais serão necessárias?
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Esposas espancadas — o que acontece por trás das portas
ESPANCAR a esposa é uma ocorrência assustadoramente comum. A revista Psychology Today informa que “uma de cada 10 mulheres sofrerá uma grave agressão (pancadas, pontapés, mordidas, ou coisa pior) do marido no decorrer de seu casamento”. Um ano depois, a revista Family Relations indicava que a magnitude do problema era ainda maior, dizendo que “uma de cada duas mulheres nos Estados Unidos sofrerá a violência doméstica”. No Canadá, de acordo com um informe de 1987, uma de cada dez mulheres será espancada. Em outros países, as estimativas são quase as mesmas.
Um promotor distrital de Nova Iorque provê testemunho adicional do crescente problema de esposas espancadas. “Na sociedade americana, a violência contra as mulheres existe em proporções epidêmicas. O FBI [Departamento Federal de Investigações] calcula que uma esposa é surrada a cada 18 segundos, e que até 6 milhões de mulheres são espancadas a cada ano.” Tem-se determinado que “espancar a esposa causa mais danos às mulheres, exigindo sua hospitalização, do que todos os estupros, agressões pelas costas e acidentes de carro, somados”. Cerca de 4.000 mulheres são mortas a cada ano.
Se submeter a esposa a maus tratos é um segredo familiar bem guardado, as pessoas mais achegadas ao esposo espancador, como seus melhores amigos, seus colegas de trabalho, os membros da família que vivem em outro lugar, talvez jamais suspeitem que ele espanca a esposa. Talvez atue bem como empregado e na sociedade, sendo muitas vezes respeitado pelos colegas como modelo. Muitos espancadores evitariam uma briga num bar, na rua, ou no local de trabalho. Muitos ofereceriam a própria camisa para alguém necessitado.
Com seu cônjuge, porém, a mínima coisa pode provocar neles um acesso de ira violenta − uma refeição que não fica pronta na hora, uma refeição de que não gostam, não gostarem do modelo do vestido da esposa, ou ela querer ver um programa na TV, e ele outro. Um estudo britânico sobre esposas espancadas revelava que, no caso de 77 por cento das mulheres agredidas, antes dos espancamentos não havia discussões. Os informes mostram que, em muitos casos, a agressão foi provocada por algo tão “trivial como a esposa romper a gema dum ovo, ou usar um rabo-de-cavalo”.
Um marido que espancou a esposa admitiu que “o que o irritou foi ver a esposa enrolada na roupa de cama”. Ter ficado ele “irritado” se traduziu em chutá-la da cama e então bater com a cabeça dela no chão com tanta força a ponto de provocar uma concussão. Disse uma esposa sofredora, que já apanhava durante muitos anos: “Um incidente assim poderia ser provocado por [eu me] esquecer de colocar certo item na mesa para o jantar.”
Uma esposa com três anos e meio de casada calculou que tinha sido surrada umas 60 vezes desde que se casara. “Ele não gostava de minhas amigas”, disse ela. “Com o tempo, parei de vê-las.” Por fim, deixou de visitar sua família, porque ele não gostava desta. “Se eu tentava telefonar, isso era motivo suficiente para outra surra”, explicou ela. Disse uma outra esposa submetida a maus-tratos: “Por fim, eu lhe perguntava qual devia ser cada passo que eu devia dar − o que deveríamos ter para o jantar, qual a disposição dos móveis.”
Há estudos que indicam ser mais provável que os espancamentos da esposa ocorram no início da noite, no decorrer dela, ou nos fins de semana. Por conseguinte, é muito mais provável que quem tenha de tratar duma mulher gravemente agredida seja uma equipe do pronto socorro dum hospital do que o médico dela. Os ferimentos que as mulheres surradas podem apresentar não raro incluem sangramentos, especialmente na cabeça e no rosto. Predominam as lesões internas − concussões, tímpanos perfurados, e, especialmente se a esposa estiver grávida, ferimentos abdominais. Muitas vezes, são visíveis no pescoço as marcas da tentativa de estrangulamento. Em muitos casos, é preciso encanar ossos fraturados − mandíbulas, braços, pernas, costelas, e clavículas. Outras vítimas talvez precisem ser mandadas para centros de tratamento de queimados, por terem sofrido queimaduras causadas por líquidos escaldantes, ou por ácidos.
Disse um escritor, a respeito dos maridos espancadores: “Estes sujeitos são uns verdadeiros horrores. Trancam as mulheres no quarto, quebram-lhes os ossos, aleijam-nas. Cortam-nas com facas, experimentam drogas nelas, socam-lhes o rosto, o estômago, os seios. Encostam revólveres nas cabeças delas − e as matam.” Há informes de esposas acorrentadas à cama, de a fiação do carro ser arrancada, tornando-o inutilizável, e de ameaças de matar a mulher, bem como aos filhos, se ela tentar fugir. As tragédias são infinitas.
Aos maus-tratos físicos, que podem ocorrer com freqüência, acrescentem-se as ameaças e as acusações, chamá-las de nomes feios, a depressão, os pesadelos e a insônia que elas experimentam.
Que tipo de homem é esse que imporia estes maus-tratos trágicos a seu cônjuge — uma mulher a quem ele talvez diga repetidas vezes que a ama e que não pode viver sem ela? Considere, no artigo que segue, o perfil dele.
Um promotor distrital de Nova Iorque provê testemunho adicional do crescente problema de esposas espancadas. “Na sociedade americana, a violência contra as mulheres existe em proporções epidêmicas. O FBI [Departamento Federal de Investigações] calcula que uma esposa é surrada a cada 18 segundos, e que até 6 milhões de mulheres são espancadas a cada ano.” Tem-se determinado que “espancar a esposa causa mais danos às mulheres, exigindo sua hospitalização, do que todos os estupros, agressões pelas costas e acidentes de carro, somados”. Cerca de 4.000 mulheres são mortas a cada ano.
Se submeter a esposa a maus tratos é um segredo familiar bem guardado, as pessoas mais achegadas ao esposo espancador, como seus melhores amigos, seus colegas de trabalho, os membros da família que vivem em outro lugar, talvez jamais suspeitem que ele espanca a esposa. Talvez atue bem como empregado e na sociedade, sendo muitas vezes respeitado pelos colegas como modelo. Muitos espancadores evitariam uma briga num bar, na rua, ou no local de trabalho. Muitos ofereceriam a própria camisa para alguém necessitado.
Com seu cônjuge, porém, a mínima coisa pode provocar neles um acesso de ira violenta − uma refeição que não fica pronta na hora, uma refeição de que não gostam, não gostarem do modelo do vestido da esposa, ou ela querer ver um programa na TV, e ele outro. Um estudo britânico sobre esposas espancadas revelava que, no caso de 77 por cento das mulheres agredidas, antes dos espancamentos não havia discussões. Os informes mostram que, em muitos casos, a agressão foi provocada por algo tão “trivial como a esposa romper a gema dum ovo, ou usar um rabo-de-cavalo”.
Um marido que espancou a esposa admitiu que “o que o irritou foi ver a esposa enrolada na roupa de cama”. Ter ficado ele “irritado” se traduziu em chutá-la da cama e então bater com a cabeça dela no chão com tanta força a ponto de provocar uma concussão. Disse uma esposa sofredora, que já apanhava durante muitos anos: “Um incidente assim poderia ser provocado por [eu me] esquecer de colocar certo item na mesa para o jantar.”
Uma esposa com três anos e meio de casada calculou que tinha sido surrada umas 60 vezes desde que se casara. “Ele não gostava de minhas amigas”, disse ela. “Com o tempo, parei de vê-las.” Por fim, deixou de visitar sua família, porque ele não gostava desta. “Se eu tentava telefonar, isso era motivo suficiente para outra surra”, explicou ela. Disse uma outra esposa submetida a maus-tratos: “Por fim, eu lhe perguntava qual devia ser cada passo que eu devia dar − o que deveríamos ter para o jantar, qual a disposição dos móveis.”
Há estudos que indicam ser mais provável que os espancamentos da esposa ocorram no início da noite, no decorrer dela, ou nos fins de semana. Por conseguinte, é muito mais provável que quem tenha de tratar duma mulher gravemente agredida seja uma equipe do pronto socorro dum hospital do que o médico dela. Os ferimentos que as mulheres surradas podem apresentar não raro incluem sangramentos, especialmente na cabeça e no rosto. Predominam as lesões internas − concussões, tímpanos perfurados, e, especialmente se a esposa estiver grávida, ferimentos abdominais. Muitas vezes, são visíveis no pescoço as marcas da tentativa de estrangulamento. Em muitos casos, é preciso encanar ossos fraturados − mandíbulas, braços, pernas, costelas, e clavículas. Outras vítimas talvez precisem ser mandadas para centros de tratamento de queimados, por terem sofrido queimaduras causadas por líquidos escaldantes, ou por ácidos.
Disse um escritor, a respeito dos maridos espancadores: “Estes sujeitos são uns verdadeiros horrores. Trancam as mulheres no quarto, quebram-lhes os ossos, aleijam-nas. Cortam-nas com facas, experimentam drogas nelas, socam-lhes o rosto, o estômago, os seios. Encostam revólveres nas cabeças delas − e as matam.” Há informes de esposas acorrentadas à cama, de a fiação do carro ser arrancada, tornando-o inutilizável, e de ameaças de matar a mulher, bem como aos filhos, se ela tentar fugir. As tragédias são infinitas.
Aos maus-tratos físicos, que podem ocorrer com freqüência, acrescentem-se as ameaças e as acusações, chamá-las de nomes feios, a depressão, os pesadelos e a insônia que elas experimentam.
Que tipo de homem é esse que imporia estes maus-tratos trágicos a seu cônjuge — uma mulher a quem ele talvez diga repetidas vezes que a ama e que não pode viver sem ela? Considere, no artigo que segue, o perfil dele.
Perigoso campo de batalha
Um pesquisador forense certa vez apurou que a polícia foi chamada para cuidar de conflitos familiares com mais freqüência do que para lidar com todas as outras ocorrências criminais conjugadas. Disse também que mais policiais foram mortos ao atenderem a chamadas por causa de distúrbios familiares do que ao atenderem a qualquer outro tipo específico de chamada. “Pelo menos num assalto você está preparado”, disse um policial. “Mas entre na casa de alguém . . . Não se sabe o que vai acontecer.”
Depois dum amplo estudo sobre violência doméstica, uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos concluiu que, com exceção das forças armadas em tempo de guerra, a família é a unidade social mais violenta que existe.
Depois dum amplo estudo sobre violência doméstica, uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos concluiu que, com exceção das forças armadas em tempo de guerra, a família é a unidade social mais violenta que existe.
A família em guerra
Abuso do cônjuge: Muitas vezes os maridos consideram a certidão de casamento como autorização para bater na esposa. Embora haja mulheres que agridem homens, os danos em geral não são tão graves como os infligidos pelos homens quando batem na esposa. A revista Parents diz: “Mais de 95 por cento dos casos relatados de [grave] abuso do cônjuge são de homens que batem na mulher.”
Uma promotora pública de Nova Iorque diz: “A violência contra as mulheres existe em proporções epidêmicas na sociedade americana. O FBI calcula que . . . 6 milhões de mulheres são espancadas todo ano.” Embora o número de ocorrências varie de país para país, os relatórios mostram que o espancamento de mulheres por homens é uma epidemia em muitos países, se não na maioria.
Nos Estados Unidos, calcula-se que “uma em cada 10 mulheres será gravemente agredida (socada, chutada, mordida ou até pior) pelo marido alguma vez durante sua vida de casada”. Incluindo-se casos menos graves, diz a revista Family Relations, “uma em cada duas mulheres nos Estados Unidos sofrerá violência doméstica”.
De fato, uma promotora pública de Nova Iorque diz que se concluiu que “o espancamento da esposa causa mais ferimentos que requerem hospitalização do que todos os estupros, agressões em assaltos e acidentes de carro somados”.
A Dra. Lois G. Livezey comenta: “Está claro que a violência contra as mulheres e a violência no círculo familiar é lugar-comum, e que os perpetradores disso . . . são pessoas comuns. . . . É um problema grave em todas as classes e raças da população.”
As vítimas às vezes se culpam pelos abusos, o que resulta em pouco amor-próprio. A revista Parents explica: “A mulher que não tem confiança em si mesma e se dá pouco valor candidata-se a abusos. . . . A típica mulher vítima de abusos teme planejar e agir em seu próprio benefício.”
A violência conjugal também tem um efeito prejudicial sobre os filhos. Eles aprendem que a violência pode ser usada para manipular os outros. Algumas mães chegam a dizer que os filhos usam ameaças contra elas, como: “Vou mandar o papai bater em você”, para conseguir fazer suas vontades.
Abuso de crianças: Todo ano, milhões de crianças sofrem severas punições físicas que podem ferir gravemente, mutilar ou matar. Calcula-se que, para cada caso de abuso denunciado, 200 não são. “Para as crianças, o lar muitas vezes é o lugar mais perigoso em que estar”, diz o livro Sociology of Marriage and the Family (Sociologia do Casamento e da Família).
O professor universitário John E. Bates diz que os abusos são a influência mais poderosa no lar sobre o comportamento da criança mais tarde na vida. A Dra. Susan Forward diz: “Constatei que nenhum outro acontecimento na vida fere tanto o amor-próprio das pessoas ou as deixa tão propensas a grandes dificuldades emocionais na idade adulta como este.” Podem-se notar sinais de agressividade diante de situações difíceis mesmo em crianças de quatro a cinco anos. À medida que crescem, essas crianças apresentam índices maiores de uso de drogas, abuso de álcool, comportamento criminoso, distúrbios psicóticos e desenvolvimento retardado.
É compreensível que muitas crianças maltratadas guardem raiva do pai ou da mãe que abusa delas; muitas vezes, porém, elas também têm raiva do pai ou da mãe que não abusa delas, mas permite que a violência continue. Na mente da criança, a testemunha omissa talvez seja encarada como cúmplice.
Abuso de idosos: Calcula-se que 15 por cento dos idosos do Canadá sofram abusos físicos e psicológicos às mãos de filhos adultos. Certo médico prediz que “a situação só pode piorar à medida que cresce o número de idosos na população e aumentam os fardos financeiros e emocionais sobre seus filhos”. Há temores similares no mundo todo.
Os idosos muitas vezes relutam em denunciar os abusos. Talvez dependam de quem abusa deles, de modo que preferem continuar vivendo nessas estarrecedoras circunstâncias. “Na próxima vez”, é a resposta que uma senhora sempre dava quando lhe perguntavam quando denunciaria o filho e a nora às autoridades. Bateram tanto nela que ela ficou um mês hospitalizada.
Abuso entre irmãos: Uma forma comum de violência doméstica. Há quem trivialize isso, dizendo: “Meninos são assim mesmo.” No entanto, mais da metade das crianças numa pesquisa havia cometido atos que seriam suficientemente graves para instauração de processo criminal se tivessem sido dirigidos contra alguém de fora da família.
Muitos acreditam que os abusos entre irmãos ensinam um padrão que é levado para a idade adulta. Em alguns casos, talvez seja um fator ainda maior em posteriores abusos conjugais do que terem observado violência entre os pais.
Uma promotora pública de Nova Iorque diz: “A violência contra as mulheres existe em proporções epidêmicas na sociedade americana. O FBI calcula que . . . 6 milhões de mulheres são espancadas todo ano.” Embora o número de ocorrências varie de país para país, os relatórios mostram que o espancamento de mulheres por homens é uma epidemia em muitos países, se não na maioria.
Nos Estados Unidos, calcula-se que “uma em cada 10 mulheres será gravemente agredida (socada, chutada, mordida ou até pior) pelo marido alguma vez durante sua vida de casada”. Incluindo-se casos menos graves, diz a revista Family Relations, “uma em cada duas mulheres nos Estados Unidos sofrerá violência doméstica”.
De fato, uma promotora pública de Nova Iorque diz que se concluiu que “o espancamento da esposa causa mais ferimentos que requerem hospitalização do que todos os estupros, agressões em assaltos e acidentes de carro somados”.
A Dra. Lois G. Livezey comenta: “Está claro que a violência contra as mulheres e a violência no círculo familiar é lugar-comum, e que os perpetradores disso . . . são pessoas comuns. . . . É um problema grave em todas as classes e raças da população.”
As vítimas às vezes se culpam pelos abusos, o que resulta em pouco amor-próprio. A revista Parents explica: “A mulher que não tem confiança em si mesma e se dá pouco valor candidata-se a abusos. . . . A típica mulher vítima de abusos teme planejar e agir em seu próprio benefício.”
A violência conjugal também tem um efeito prejudicial sobre os filhos. Eles aprendem que a violência pode ser usada para manipular os outros. Algumas mães chegam a dizer que os filhos usam ameaças contra elas, como: “Vou mandar o papai bater em você”, para conseguir fazer suas vontades.
Abuso de crianças: Todo ano, milhões de crianças sofrem severas punições físicas que podem ferir gravemente, mutilar ou matar. Calcula-se que, para cada caso de abuso denunciado, 200 não são. “Para as crianças, o lar muitas vezes é o lugar mais perigoso em que estar”, diz o livro Sociology of Marriage and the Family (Sociologia do Casamento e da Família).
O professor universitário John E. Bates diz que os abusos são a influência mais poderosa no lar sobre o comportamento da criança mais tarde na vida. A Dra. Susan Forward diz: “Constatei que nenhum outro acontecimento na vida fere tanto o amor-próprio das pessoas ou as deixa tão propensas a grandes dificuldades emocionais na idade adulta como este.” Podem-se notar sinais de agressividade diante de situações difíceis mesmo em crianças de quatro a cinco anos. À medida que crescem, essas crianças apresentam índices maiores de uso de drogas, abuso de álcool, comportamento criminoso, distúrbios psicóticos e desenvolvimento retardado.
É compreensível que muitas crianças maltratadas guardem raiva do pai ou da mãe que abusa delas; muitas vezes, porém, elas também têm raiva do pai ou da mãe que não abusa delas, mas permite que a violência continue. Na mente da criança, a testemunha omissa talvez seja encarada como cúmplice.
Abuso de idosos: Calcula-se que 15 por cento dos idosos do Canadá sofram abusos físicos e psicológicos às mãos de filhos adultos. Certo médico prediz que “a situação só pode piorar à medida que cresce o número de idosos na população e aumentam os fardos financeiros e emocionais sobre seus filhos”. Há temores similares no mundo todo.
Os idosos muitas vezes relutam em denunciar os abusos. Talvez dependam de quem abusa deles, de modo que preferem continuar vivendo nessas estarrecedoras circunstâncias. “Na próxima vez”, é a resposta que uma senhora sempre dava quando lhe perguntavam quando denunciaria o filho e a nora às autoridades. Bateram tanto nela que ela ficou um mês hospitalizada.
Abuso entre irmãos: Uma forma comum de violência doméstica. Há quem trivialize isso, dizendo: “Meninos são assim mesmo.” No entanto, mais da metade das crianças numa pesquisa havia cometido atos que seriam suficientemente graves para instauração de processo criminal se tivessem sido dirigidos contra alguém de fora da família.
Muitos acreditam que os abusos entre irmãos ensinam um padrão que é levado para a idade adulta. Em alguns casos, talvez seja um fator ainda maior em posteriores abusos conjugais do que terem observado violência entre os pais.
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